Sobre o livro



Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros
Um resgate da memória dos primórdios do culto religioso do Santo Daime, a sua importância na formação da identidade acreana e sua matriz afro-brasileira, elaborado com as narrativas das vidas dos seus precursores, em especial o Mestre Irineu.

MOREIRA, Paulo; MACRAE, Edward. Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros.
Salvador, Bahia: EDUFBA, EDUFMA, ABESUP, 2011. 592 p.
                                      
Raimundo Irineu Serra, mais conhecido como Mestre Irineu, foi um maranhense neto de escravos que no início do século XX migrou para a região do Acre, onde se estabeleceu desempenhando vários ofícios relacionados à extração da borracha e posteriormente, a partir de 1920, agora residente na região de Rio Branco, se inscreveu na Força Policial. A partir de então passou também a desenvolver atividades de cunho espiritualista e de medicina popular tendo como principal ferramenta a bebida ayahuasca, de fortes características psicoativas. Em 1930 funda um centro, datando-se dessa época a criação do culto do Santo Daime ou Daime. A comunidade rural que estabeleceu acolheu inúmeros imigrantes e seringueiros expulsos da floresta devido ao colapso da economia da borracha. Mestre Irineu e sua doutrina foram sujeitos a inúmeras perseguições e preconceitos suscitados pela predominância de afro-descendentes entre seus seguidores e pelos temores que as elites de então sentiam em relação à movimentos culturais e religiosos de origem afro-indígena como aquele que liderava. Como estratégia de defesa para si e sua comunidade Mestre Irineu desenvolveu fortes laços com alguns políticos influentes de sua época, incluindo governadores e autoridades do exército. Hoje se considera de grande importância a sua participação na colonização do então Território que mais tarde viria a ser Estado e o movimento religioso que fundou assume características emblemáticas da identidade acreana reminiscentes, análoga  daquelas desempenhadas por exemplo pelo candomblé na Bahia.
O texto do livro aqui apresentado traz uma nova abordagem e releitura dos dados já conhecidos sobre a história do Mestre Irineu e do Daime, além de trazer uma preciosa coleção de fotos, documentos e outros depoimentos dos primeiros participantes desse movimento religioso, muitos deles com idades avançadas ou falecidos. O trabalho também enfatiza a influência da cultura afro-brasileira no desenvolvimento da doutrina pregada pelo Mestre Irineu. Assim, este livro é um trabalho de resgate da memória dos primórdios desse culto religioso, enfatizando a importância do Daime na formação da identidade acreana e destacando a presença da matriz afro-brasileira, até agora pouco enfatizada nesse processo.

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