terça-feira, 14 de agosto de 2012

14 DE AGOSTO, DIA DO FALECIMENTO DE ANTÔNIO GOMES, ANTIGO SEGUIDOR DE MESTRE IRINEU. Neste mês, no dia 14 de agosto, fazem 66 anos do seu falecimento.

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14 DE AGOSTO, DIA DO FALECIMENTO DE ANTÔNIO GOMES, ANTIGO SEGUIDOR DE MESTRE IRINEU. Neste mês, no dia 14 de agosto, fazem 66 anos do seu falecimento.
Focaremos neste artigo, o falecimento de Antônio Gomes da Silva, um antigo seguidor de Mestre Irineu. Antônio Gomes morreu no dia 14 de agosto de 1946 aos 61 anos de idade. Neste Mês, fazem 66 anos de sua passagem. Para falarmos sobre seu falecimento é necessário abordarmos o contexto histórico da Doutrina do Daime, o momento em que ocorreu a morte. É importante frisar que este artigo é um pequeno recorte de um trecho do livro “Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros”, readaptado para a web.
MUDANÇA DA VILA IVONETE PARA O ALTO SANTO

O período que se seguiu à mudança para o Alto Santo foi muito difícil para Mestre Irineu e seus seguidores. Perante a necessidade de retomar o trabalho nas plantações de onde retiravam sua subsistência, os membros da comunidade reiniciaram as culturas de arroz, milho, feijão e mandioca. Devido à distância que o separava do grupo de Vila Ivonete, muitas vezes, o próprio Mestre Irineu tinha que trabalhar sozinho, sem poder contar com a ajuda dos outros. Além disso, em meados de maio de 1946, um ano após sua mudança para o Alto da Santa Cruz (ou simplesmente “Alto Santo”, como posteriormente passou a ser chamado), ele decidiu suspender os trabalhos do Daime, causando grande consternação entre seus seguidores. Até hoje, os daimistas mais antigos ainda relutam em falar desse assunto, de tão desagradável lembrança, tornando difícil determinar sua causa, mas há sugestões de que seu estopim final tenha sido uma afronta feita a ele por Maria Franco.

FECHAMENTO DOS TRABALHOS EM 1946 E A MORTE DE ANTÔNIO GOMES

Durante esse período, Antônio Gomes teria tentado reunir a irmandade para pedir a Mestre Irineu que voltasse a realizar as sessões. Segundo Lourdes Carioca, ele foi a cavalo de casa em casa, solicitando aos irmãos que “se humilhassem” e pedissem para o Mestre voltar a abrir as sessões. Mas o líder permanecia irredutível, desgostoso com as constantes discórdias entre seus seguidores. Comenta-se que certas atitudes inapropriadas de alguns daimistas o teriam entristecido profundamente. Um pouco depois dessa sua tentativa de convencer Mestre Irineu a reabrir os trabalhos, Antônio Gomes sofreu um acidente, um boi o chifrou pelas costas, causando-lhe sentir dores intensas, que o levaram à cama. Passou então vários meses acamado e, em lugar de melhorar, seu estado de saúde piorava. Alarmado, pediu a Mestre Irineu que lhe desse algum conforto. Este recebeu o hino “74 – Só eu cantei na barra” e o cantou para ele. Ao ouvir esse hino, onde fica muito explícito o pensamento de Mestre Irineu sobre reencarnação, Antônio Gomes se acalmou, conformando-se com a proximidade de seu fim. Em outra visita que Mestre Irineu lhe fez antes de seu falecimento, Antônio Gomes pediu a ele que cuidasse de sua família. Em atenção a esse pedido, Mestre Irineu passou então a dedicar uma atenção paterna aos seus filhos. Adália Grangeiro, filha de Antônio Gomes, falou assim sobre o acometimento de seu pai:

Ele trabalhava assim, marretando, comprando mercadoria nas colônias e levando pro mercado, né. Aí, ele comprava e levava pra vender no mercado. Dizem que ele tava assim com um saco de adubo muito pesado, aí, ele sentiu o peito dele, dando uma torção. Antes disso, ele já tinha levado uma chifrada de um boi mocho sem chifre. Ele ia passando perto do boi que estava amarrado, mas a corda era muito comprida. Ele pensava que o boi não ia mexer com ele. Mas, quando ele passou pelo boi, ele só sentiu foi a pancada nas costas, aí ele caiu. A doença começou daí. Ele começou com dor no peito e nas costas, mas, não tinha médico pra ir pra saber o que aconteceu. Aí ele só tomou remédio caseiro e daime mesmo. Ele passou muito tempo sem trabalhar, sem poder trabalhar, e disso ele se foi (Entrevista de Dália Grangeiro, filha de Antônio Gomes, em março de 2007).

Antônio Gomes nasceu em 30 de abril de 1885 e morreu em 14 de agosto de 1946. Segundo Maria Gomes, sua esposa, um pouco depois que seu marido faleceu, Mestre Irineu resolveu abrir os trabalhos do Daime novamente. Nessa época, Leôncio Gomes, filho de Antônio Gomes, juntamente com Daniel Pereira de Matos, também finalmente conseguiram se curar do alcoolismo, através de trabalhos de daime. Observemos abaixo o relato de D. Percília Ribeiro sobre o falecimento de Antônio Gomes e o hino que Mestre Irineu recebeu.

O Mestre chegou e me chamou e disse: “ Eu recebi uma cura pro Antônio Gomes.” Aí, eu disse: “Recebeu, graças a Deus.” Aí ele foi e cantou: “Só eu cantei na barra, que fiz estremecer, tu queres vida eu te dou, que ninguém não quer morrer...” Ele cantou todinho, né. Aí, quando ele acabou eu digo: “Já estou ciente do que vai acontecer.” Aí, eu pensei que o que ele tinha recebido era uma cura pra ele, mas foi uma cura eterna. Com dois dias ele faleceu, mas, foi uma morte tão bonita a dele, né. Ele estava consciente de fazer a passagem, quando chegou a hora, ele reuniu todas as pessoas que estavam ali. Aí, com todas ao redor dele, mandou todo mundo rezar, quando chegou lá numas alturas ele olhou assim e disse: “Tem gente aí que não está rezando.” ele rezando também, foi rezando, quando chegou na Santa Maria, ele aí foi se entregando. Foi uma morte bonita, bonita mesmo a morte dele. Poucas pessoas tem coragem de fazer um trabalho desses, não é? (Entrevista de D. Percília Ribeiro dada a Antônio Macedo em 1999).

(MOREIRA; MACRAE, 2011, p. 235,236 e 237)

74 - SÓ EU CANTEI NA BARRA
(Mestre Irineu)
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Só eu cantei na barra,
Que fiz estremecer.
Se tu queres vida Eu te dou,
Que ninguém não quer morrer.

A morte é muito simples,
Assim Eu vou te dizer
Eu comparo a morte
É igualmente ao nascer.

Depois que desencarna,
Firmeza no coração.
Se Deus te der licença,
Volta outra encarnação.

Na Terra, como no céu,
É o dizer de todo mundo
Se não preparar o terreno,
Fica um espírito vagabundo.

Referência bibliográfica

MOREIRA, Paulo; MACRAE, Edward. “EU VENHO DE LONGE: Mestre Irineu e seus companheiros”, Salvador, Bahia, EDUFBA, EDUFMA, ABESUP, 2011.

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